Saturday, December 12, 2015
Sunday, October 25, 2015
Sunday, October 18, 2015
Thursday, October 15, 2015
Wednesday, October 14, 2015
Monday, March 24, 2014
Teste 3 - questão II.3
Aplique-se o conteúdo do texto aos exemplos apresentados na questão:
"Considerem-se as seguintes afirmações acerca de um sujeito, ao qual chamarei S:
- S sabe andar de bicicleta.
- S conhece o Presidente dos EUA.
- S sabe que a Serra da Estrela fica em Portugal.
Chamo conhecimento proposicional ao tipo de conhecimento apresentado em 3. Note-se que o objecto do verbo em 3 é uma proposição — uma coisa que é verdadeira ou falsa. Existe uma proposição — a Serra da Estrela fica em Portugal — e S sabe que essa proposição é verdadeira.
As frases 1 e 2 não têm esta estrutura. O objecto do verbo em 2 não é uma proposição, mas uma pessoa. O mesmo aconteceria se disséssemos que S conhece Lisboa. Uma frase como 2 diz que S está ou esteve na presença de uma pessoa, de um lugar ou de uma coisa. Por isso dizemos que 2 corresponde a um caso de conhecimento por contacto.
Existe alguma ligação entre estes dois tipos de conhecimento? Possivelmente, para que Sconheça o Presidente dos Estados Unidos, terá de ter conhecimento proposicional acerca dele. Mas qual? Para que S conheça o Presidente terá de saber em que Estado ele nasceu? Isso não parece essencial. E o mesmo parece acontecer relativamente a todos os outros factos acerca dele: não parece haver qualquer proposição específica que seja necessário saber para se possa dizer que se conhece o Presidente. Conhecer uma pessoa implica, isso sim, ter um tipo qualquer de contacto directo com ela.
Chamemos ao tipo de conhecimento exemplificado em 1 conhecimento de aptidões. Que significa dizer que se sabe fazer alguma coisa? Penso que isto tem pouco a ver com o conhecimento proposicional. Uma pessoa pode saber andar de bicicleta aos cinco anos, e para isso não precisa de saber qualquer proposição acerca desse facto. O contrário também pode acontecer: uma pessoa pode ter muito conhecimento proposicional acerca de um assunto — de pintura, por exemplo — , e não ter qualquer conhecimento de aptidões a esse respeito.
Vamos aqui abordar apenas o conhecimento proposicional. Queremos saber o que é necessário para que um indivíduo S saiba que p, sendo p uma proposição qualquer — como a de que a Serra da Estrela fica em Portugal. Daqui em diante, quando falarmos de conhecimento, estaremos sempre a referir-nos ao conhecimento proposicional."
Teste 3 - questão II.2
A fenomenologia explica o fenómeno de um modo simples considerando o sujeito cognoscente e o objecto cognoscível. Existe, inicialmente, um sujeito e um objecto diferentes um do outro, sendo que estes partilham uma relação – o conhecimento. Este sujeito apenas é sujeito para este objecto e este objecto apenas é objecto para este sujeito, estes estão ligados por uma estreita relação, condicionando-se reciprocamente (correlação). A relação que sujeito e objecto partilham é dupla mas não reversível, isto é, os papéis de sujeito e objecto não são intermutáveis, a sua função é, portanto, diferente. Nesta relação a função do sujeito é apreender o objecto e a do objecto é a de ser apreendido pelo sujeito. Para que o sujeito possa conhecer, este tem que se transcender, entrando na esfera do objecto, onde capta as características do objecto e as faz entrar na sua própria esfera. O sujeito apenas tem noção do que apreendeu quando reentra em si. O sujeito sai, portanto, deste processo, modificado, dado que com ele traz apenas uma representação mental – imagem – do objecto, em tudo igual ao objecto em si.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conhecimento
Ficha Formativa - Descartes (Escolha múltipla)
1.
Segundo Descartes, o cirtério de verdade é:
A.
A delicadeza e a exatidão;
B.
a clareza e a distinção;
C.
a delicadez e a distinção;
D.
a clareza e a não contradição.
2.
De acordo com Descartes os conteúdos da nossa mente podem
classificar-se como:
A.
Ideias inatas; ideias fictícias; ideias adventícias;
B.
ideias factícias; ideias complexas; ideias simples,
C.
ideias adventícias; ideias inatas; ideias factícias.
D.
ideias simples, ideias inatas, ideias claras e distintas.
3.
A dúvida cartesiana é hiperbólica porque:
A.
Só se aplica aos objectos da experiência;
B.
aplica-se a todas as nossas crenças;
C.
aplica-se a todas as ideias factícias:
D.
aplica-se só aos objectos da razão.
4.
O cogito é:
A.
A base da dúvida metódica;
B.
alcançado através da experiência;
C.
a a prova de que a verdade não existe;
D.
a primeira verdade alcançada através da dúvida.
5.
Identifique
a afirmação verdadeira:
A.
Descartes é céptico porque parte da dúvida.
B.
Descartes não é céptico porque a dúvida é metódica.
C.
Descartes é céptico porque não procura a verdade e a encontra por
acaso.
D.
Descartes é céptico porque consegue duvidar de tudo.
6.
Identifique a afirmação errada:
A.
O principal problema de Descartes é o de encontrar a garantia de que
o nosso conhecimento é absolutamente seguro.
B.
A condição necessária para que algo seja declarado conhecimento
absolutamente seguro é resistir completamente à dúvida.
C.
Descartes consegue provar que os sentidos não nos enganam.
D.
O primeiro conhecimento absolutamente seguro é a existência do
sujeito que tem consciência de que os sentidos e o entendimento o
podem enganar.
7.
Ao recorrer à dúvida metódica, Descartes pretende:
A.
Mostrar que os sentidos por vezes nos enganam;
B.
rejeitar definitivamente tudo o que não seja indubitável;
C.
encontrar um fundamento seguro para o conhecimento.
D.
Nenhuma das respostas anteriores é correta.
8.
De acordo com a filosofia cartesiana, Deus existe porque:
A.
O universo físico tem de ter uma causa;
B.
a organização do Universo aponta para um criador inteligente;
C.
a própria ideia de ser perfeito implica a sua existência.
D.
Nenhuma das respostas anteriores é correta.
9.
Segundo Descartes, o cogito é uma verdade indubitável porque:
A.
A existência do nosso corpo pode ser uma ilusão;
B.
podemos provar que Deus existe;
C.
somos um sujeito pensante;
D.
compreendemo-lo com toda a clareza e distinção.
10.
Segundo Descartes, apenas é verdadeira a seguinte afirmação:
A.
Sabemos que o mundo exterior é real porque os sentidos o comprovam;
B.
sabemos que o mundo exterior é real porque sabemos que o sujeito
existe;
C.
sabemos que o mundo exterior é real porque o cogito é um princípio
indubitável que
garante
a sua existência;
D.
sabemos que Deus existe porque o mundo exterior é real.
11.
Descartes, no percurso que faz da dúvida até ao primeiro princípio
indubitável,
considera
que:
A.
Não pode atribuir qualquer importância aos dados empíricos na
aquisição do
conhecimento
verdadeiro;
B.
pode atribuir alguma importância aos dados empíricos na aquisição
do conhecimento
verdadeiro;
C.
tem de atribuir alguma importância aos dados empíricos na aquisição
do conhecimento
verdadeiro;
D.
tem de atribuir uma importância fundamental aos dados empíricos na
aquisição do
conhecimento
verdadeiro.
12.
Na filosofia cartesiana, a ideia de Deus que o sujeito possui teve
origem:
A.
Numa ideia, proveniente dos sentidos, que o sujeito descobriu na sua
própria razão;
B.
na necessidade de encontrar um criador para tudo o que existe;
C.
no eu pensante, ao submeter todos os conhecimentos que possui à
dúvida radical;
D.
em Deus, que a deixou em nós como a sua marca.
4. De que modo Descartes obteve conhecimento do Cogito?
Descartes obteve conhecimento do Cogito através da Razão, totalmente a priori.
O sujeito racional conhece-se a si mesmo através da sua Razão, de forma direta, intuitiva, sem o auxílio da experiência sensorial. Porque o cogito é um conhecimento inferencial que resulta do conhecimento que o sujeito racional tem da atividade da sua Razão.
É que o pensamento tem este poder de se virar para si próprio e de se tomar a si mesmo como objecto de conhecimento (chama-se reflexão a esta capacidade). E este conhecimento não pode ser posto em causa - não podemos pô-lo em dúvida - mesmo ao duvidar não podemos duvidar de que pensamos.
Podemos duvidar de que temos um corpo, porque quando nos colocamos o desafio do cérebro dentro de um aquário (ou dentro de uma cuba) temos dificuldade em provar que não estamos nessa situação, mas não podemos duvidar de que duvidamos quando estamos a duvidar. Por exemplo, podemos pensar que nos estamos a coçar sem que o estejamos a fazer, mas não podemos pensar que estamos a pensar sem, de facto, estarmos a pensar.
Daqui se depreende que o conhecimento empírico é contingente (a sua verdade não implica a impossibilidade de ser falso), enquanto que o conhecimento racional é necessário (a sua verdade implica a impossibilidade de ser falso).
3. Será que Descartes é realmente um céptico? Porquê?
Descartes não é um céptico.
Porque, embora utilize a dúvida céptica e os argumentos cépticos, fá-lo para, por um lado mostrar que a experiência sensorial não pode ser considerada uma fonte credível do conhecimento e, por outro, que só a Razão pode ser a origem do conhecimento verdadeiro.
A dúvida é metódica, ou seja, serve como instrumento para alcançar a verdade. Ao duvidar de todas as crenças, só ficaremos presos na dúvida se, de facto, nos for impossível conhecer verdades, pois a verdade resistirá à dúvida, aparecerá como algo acerca do qual não podemos duvidar (algo de indubitável, portanto).
É através da dúvida que Descartes chega ao cogito: ao duvidar não pode duvidar de que pensa e, se não pode duvidar de que pensa, também não pode duvidar de que existe. As crenças envolvidas no cogito ('penso' e 'existo') são incorrigíveis, ou seja, não conseguimos sequer conceber que possam estar erradas. Isso significa que estamos perante crenças fundacionais, crenças que se auto-justificam e que, por sua vez, podem servir de justificação a outras crenças, rompendo assim com a circularidade céptica da regressão infinita.
Descartes usa a dúvida céptica para fundamentar uma posição totalmente oposta ao cepticismo: o dogmatismo. O dogmatismo, do ponto de vista da filosofia do conhecimento, defende que o conhecimento é possível e não tem limites. Trata-se, como é óbvio, do conhecimento racional: só a Razão permite chegar à verdade.
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