Saturday, December 12, 2015

Thursday, October 15, 2015

Monday, March 24, 2014

Teste 3 - questão II.3


Aplique-se o conteúdo do texto aos exemplos apresentados na questão:

"Considerem-se as seguintes afirmações acerca de um sujeito, ao qual chamarei S:
  1. S sabe andar de bicicleta.
  2. conhece o Presidente dos EUA.
  3. S sabe que a Serra da Estrela fica em Portugal.
Chamo conhecimento proposicional ao tipo de conhecimento apresentado em 3. Note-se que o objecto do verbo em 3 é uma proposição — uma coisa que é verdadeira ou falsa. Existe uma proposição — a Serra da Estrela fica em Portugal — e S sabe que essa proposição é verdadeira.
As frases 1 e 2 não têm esta estrutura. O objecto do verbo em 2 não é uma proposição, mas uma pessoa. O mesmo aconteceria se disséssemos que conhece Lisboa. Uma frase como 2 diz que S está ou esteve na presença de uma pessoa, de um lugar ou de uma coisa. Por isso dizemos que 2 corresponde a um caso de conhecimento por contacto.
Existe alguma ligação entre estes dois tipos de conhecimento? Possivelmente, para que Sconheça o Presidente dos Estados Unidos, terá de ter conhecimento proposicional acerca dele. Mas qual? Para que S conheça o Presidente terá de saber em que Estado ele nasceu? Isso não parece essencial. E o mesmo parece acontecer relativamente a todos os outros factos acerca dele: não parece haver qualquer proposição específica que seja necessário saber para se possa dizer que se conhece o Presidente. Conhecer uma pessoa implica, isso sim, ter um tipo qualquer de contacto directo com ela.
Chamemos ao tipo de conhecimento exemplificado em 1 conhecimento de aptidões. Que significa dizer que se sabe fazer alguma coisa? Penso que isto tem pouco a ver com o conhecimento proposicional. Uma pessoa pode saber andar de bicicleta aos cinco anos, e para isso não precisa de saber qualquer proposição acerca desse facto. O contrário também pode acontecer: uma pessoa pode ter muito conhecimento proposicional acerca de um assunto — de pintura, por exemplo — , e não ter qualquer conhecimento de aptidões a esse respeito.
Vamos aqui abordar apenas o conhecimento proposicional. Queremos saber o que é necessário para que um indivíduo S saiba que p, sendo p uma proposição qualquer — como a de que a Serra da Estrela fica em Portugal. Daqui em diante, quando falarmos de conhecimento, estaremos sempre a referir-nos ao conhecimento proposicional."

Teste 3 - questão II.2

A fenomenologia explica o fenómeno de um modo simples considerando o sujeito cognoscente e o objecto cognoscível. Existe, inicialmente, um sujeito e um objecto diferentes um do outro, sendo que estes partilham uma relação – o conhecimento. Este sujeito apenas é sujeito para este objecto e este objecto apenas é objecto para este sujeito, estes estão ligados por uma estreita relação, condicionando-se reciprocamente (correlação). A relação que sujeito e objecto partilham é dupla mas não reversível, isto é, os papéis de sujeito e objecto não são intermutáveis, a sua função é, portanto, diferente. Nesta relação a função do sujeito é apreender o objecto e a do objecto é a de ser apreendido pelo sujeito. Para que o sujeito possa conhecer, este tem que se transcender, entrando na esfera do objecto, onde capta as características do objecto e as faz entrar na sua própria esfera. O sujeito apenas tem noção do que apreendeu quando reentra em si. O sujeito sai, portanto, deste processo, modificado, dado que com ele traz apenas uma representação mental – imagem – do objecto, em tudo igual ao objecto em si.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conhecimento




Ficha Formativa - Descartes (Escolha múltipla)


1. Segundo Descartes, o cirtério de verdade é:
A. A delicadeza e a exatidão;
B. a clareza e a distinção;
C. a delicadez e a distinção;
D. a clareza e a não contradição.

2. De acordo com Descartes os conteúdos da nossa mente podem classificar-se como:
A. Ideias inatas; ideias fictícias; ideias adventícias;
B. ideias factícias; ideias complexas; ideias simples,
C. ideias adventícias; ideias inatas; ideias factícias.
D. ideias simples, ideias inatas, ideias claras e distintas.

3. A dúvida cartesiana é hiperbólica porque:
A. Só se aplica aos objectos da experiência;
B. aplica-se a todas as nossas crenças;
C. aplica-se a todas as ideias factícias:
D. aplica-se só aos objectos da razão.

4. O cogito é:
A. A base da dúvida metódica;
B. alcançado através da experiência;
C. a a prova de que a verdade não existe;
D. a primeira verdade alcançada através da dúvida.

5. Identifique a afirmação verdadeira:
A. Descartes é céptico porque parte da dúvida.
B. Descartes não é céptico porque a dúvida é metódica.
C. Descartes é céptico porque não procura a verdade e a encontra por acaso.
D. Descartes é céptico porque consegue duvidar de tudo.

6. Identifique a afirmação errada:
A. O principal problema de Descartes é o de encontrar a garantia de que o nosso conhecimento é absolutamente seguro.
B. A condição necessária para que algo seja declarado conhecimento absolutamente seguro é resistir completamente à dúvida.
C. Descartes consegue provar que os sentidos não nos enganam.
D. O primeiro conhecimento absolutamente seguro é a existência do sujeito que tem consciência de que os sentidos e o entendimento o podem enganar.

7. Ao recorrer à dúvida metódica, Descartes pretende:
A. Mostrar que os sentidos por vezes nos enganam;
B. rejeitar definitivamente tudo o que não seja indubitável;
C. encontrar um fundamento seguro para o conhecimento.
D. Nenhuma das respostas anteriores é correta.

8. De acordo com a filosofia cartesiana, Deus existe porque:
A. O universo físico tem de ter uma causa;
B. a organização do Universo aponta para um criador inteligente;
C. a própria ideia de ser perfeito implica a sua existência.
D. Nenhuma das respostas anteriores é correta.

9. Segundo Descartes, o cogito é uma verdade indubitável porque:
A. A existência do nosso corpo pode ser uma ilusão;
B. podemos provar que Deus existe;
C. somos um sujeito pensante;
D. compreendemo-lo com toda a clareza e distinção.

10. Segundo Descartes, apenas é verdadeira a seguinte afirmação:
A. Sabemos que o mundo exterior é real porque os sentidos o comprovam;
B. sabemos que o mundo exterior é real porque sabemos que o sujeito existe;
C. sabemos que o mundo exterior é real porque o cogito é um princípio indubitável que
garante a sua existência;
D. sabemos que Deus existe porque o mundo exterior é real.

11. Descartes, no percurso que faz da dúvida até ao primeiro princípio indubitável,
considera que:
A. Não pode atribuir qualquer importância aos dados empíricos na aquisição do
conhecimento verdadeiro;
B. pode atribuir alguma importância aos dados empíricos na aquisição do conhecimento
verdadeiro;
C. tem de atribuir alguma importância aos dados empíricos na aquisição do conhecimento
verdadeiro;
D. tem de atribuir uma importância fundamental aos dados empíricos na aquisição do
conhecimento verdadeiro.

12. Na filosofia cartesiana, a ideia de Deus que o sujeito possui teve origem:
A. Numa ideia, proveniente dos sentidos, que o sujeito descobriu na sua própria razão;
B. na necessidade de encontrar um criador para tudo o que existe;
C. no eu pensante, ao submeter todos os conhecimentos que possui à dúvida radical;
D. em Deus, que a deixou em nós como a sua marca. 

4. De que modo Descartes obteve conhecimento do Cogito?

Descartes obteve conhecimento do Cogito através da Razão, totalmente a priori.
O sujeito racional conhece-se a si mesmo através da sua Razão, de forma direta, intuitiva, sem o auxílio da experiência sensorial. Porque o cogito é um conhecimento inferencial que resulta do conhecimento que o sujeito racional tem da atividade da sua Razão.
É que o pensamento tem este poder de se virar para si próprio e de se tomar a si mesmo como objecto de conhecimento (chama-se reflexão a esta capacidade). E este conhecimento não pode ser posto em causa - não podemos pô-lo em dúvida - mesmo ao duvidar não podemos duvidar de que pensamos.
Podemos duvidar de que temos um corpo, porque quando nos colocamos o desafio do cérebro dentro de um aquário (ou dentro de uma cuba) temos dificuldade em provar que não estamos nessa situação, mas não podemos duvidar de que duvidamos quando estamos a duvidar. Por exemplo, podemos pensar que nos estamos a coçar sem que o estejamos a fazer, mas não podemos pensar que estamos a pensar sem, de facto, estarmos a pensar.
Daqui se depreende que o conhecimento empírico é contingente (a sua verdade não implica a impossibilidade de ser falso), enquanto que o conhecimento racional é necessário (a sua verdade implica a impossibilidade de ser falso).

3. Será que Descartes é realmente um céptico? Porquê?

Descartes não é um céptico. 
Porque, embora utilize a dúvida céptica e os argumentos cépticos, fá-lo para, por um lado mostrar que a experiência sensorial não pode ser considerada uma fonte credível do conhecimento e, por outro, que só a Razão pode ser a origem do conhecimento verdadeiro.
A dúvida é metódica, ou seja, serve como instrumento para alcançar a verdade. Ao duvidar de todas as crenças, só ficaremos presos na dúvida se, de facto, nos for impossível conhecer verdades, pois a verdade resistirá à dúvida, aparecerá como algo acerca do qual não podemos duvidar (algo de indubitável, portanto).
É através da dúvida que Descartes chega ao cogito: ao duvidar não pode duvidar de que pensa e, se não pode duvidar de que pensa, também não pode duvidar de que existe. As crenças envolvidas no cogito ('penso' e 'existo') são incorrigíveis, ou seja, não conseguimos sequer conceber que possam estar erradas. Isso significa que estamos perante crenças fundacionais, crenças que se auto-justificam e que, por sua vez, podem servir de justificação a outras crenças, rompendo assim com a circularidade céptica da regressão infinita.
Descartes usa a dúvida céptica para fundamentar uma posição totalmente oposta ao cepticismo: o dogmatismo. O dogmatismo, do ponto de vista da filosofia do conhecimento, defende que o conhecimento é possível e não tem limites. Trata-se, como é óbvio, do conhecimento racional: só a Razão permite chegar à verdade.