Monday, February 24, 2014

Argumentos não dedutivos - questões de escolha mútipla

1. «Sempre que vi a Mariana, ela usava brincos. Logo, da próxima vez que vir a Mariana, ela usará brincos».
Trata-se de
(A) um argumento indutivo, porque a verdade da premissa torna a conclusão apenas provável.
(B) um argumento dedutivo, porque a verdade da premissa implica a verdade da conclusão.
(C) um argumento indutivo, porque a verdade da premissa impossibilita a falsidade da conclusão.
(D) um argumento dedutivo, porque a sua validade depende unicamente da sua forma lógica.

2. Para obter um argumento indutivo forte, por generalização,
 (A) é necessário partir de uma amostra representativa.
 (B) é suficiente inferir a partir de premissas gerais.
 (C) é necessário demonstrar a verdade da conclusão.
 (D) é suficiente respeitar as regras da lógica formal.

3. Um argumento por analogia é um argumento
 (A) dedutivo que parte de uma boa comparação entre realidades diferentes.
 (B) não dedutivo que parte de semelhanças entre realidades diferentes.
 (C) dedutivo que parte de certo número de semelhanças entre realidades diferentes.
 (D) não dedutivo que parte de diferenças relevantes entre realidades semelhantes.

4. Num raciocínio indutivo forte, a verdade
 (A) da conclusão é garantida pela verdade das premissas.
 (B) das premissas torna provável a validade da conclusão.
 (C) da conclusão é garantida pela validade das premissas.
 (D) das premissas torna provável a verdade da conclusão.

Argumentos não dedutivos - questões II

Leia o texto seguinte.
Texto A
"Do mesmo modo que os olhos dos morcegos ficam ofuscados pela luz do dia, também a 
inteligência da nossa alma fica ofuscada pelas coisas mais naturalmente evidentes."
Aristóteles, Metafísica, Livro α, 993b

Identifique um tipo de argumento informal que pode construir, a partir do texto.

Justifique a resposta.

Resposta:

A resposta integra os seguintes conteúdos, ou outros considerados relevantes e adequados.
Exemplo:
– identificação do tipo de argumento que se pode construir a partir do texto como sendo um argumento 
por analogia;
– justificação: a analogia estabelece-se a partir da comparação entre «os olhos dos morcegos» e a  «inteligência da nossa alma» e entre a «luz do dia» e as «coisas mais naturalmente evidentes», de  modo que a luz do dia está para os olhos dos morcegos como as coisas mais evidentes estão para a inteligência da nossa alma.

Argumentos não dedutivos - questões I

1. Considere o argumento seguinte.
Quando observamos um relógio, apercebemo-nos de que as suas várias partes estão desenhadas 
e articuladas para produzirem um certo fim. Quando temos em conta o seu mecanismo, é inevitável 
a inferência de que ele foi construído por um artífice. Ora, o universo tem grande complexidade e 
organização. Assim, supõe-se que também teve um criador inteligente.

1.1. Classifique o tipo de argumento apresentado.
Justifique a sua resposta.

1.2. Apresente a conclusão do argumento.

Resposta:1.1.  - Classificação correta: o argumento apresentado é um argumento por analogia / uma analogia.
– Justificação: o argumento fundamenta-se numa comparação entre dois casos particulares, o relógio e o universo, sendo destacadas as suas semelhanças, no que diz respeito à complexidade e organização, para fundamentar a sua semelhança em relação à existência de um criador inteligente.

1.2. A resposta é a seguinte, ou outra equivalente.

– A conclusão do argumento é: «O universo teve um criador inteligente».

Alargando os limites do conhecimento

Se a humanidade estiver impedida de ter um conhecimento por contacto de um certo objecto (por exemplo, um planeta distante), podemos concluir que também estar impedida de ter conhecimentos proposicionais acerca desse objecto?

Por estranho que pareça, há situações em que o conhecimento inferencial precede o conhecimento por contacto: Clyde W. Tombaugh descobriu Plutão, em 1930, porque os astrónomos tinham feito cálculos que previam a existência de um corpo celeste de grandes dimensões a seguir a Neptuno. Apesar de se ter constatado que esses cálculos estavam errados, Tombough, com o telescópio do observatório Lowell no Arizona, resolveu escrutinar a área do sistema 
solar onde era previsível que estivesse a órbita desse corpo desconhecido e acabou por encontrar Plutão.
Em 1964 o físico nuclear Peter Higgs, prémio Nóbel da física em 2013, com base nas hipóteses levantadas por Philip Anderson, predisse a existência de uma partícula subatómica a que deu o nome de bosão. Esta partícula só foi observada a partir de 2012 por intermédio do maior instrumento de observação científica criado até hoje: o acelerador de partículas do CERN.
Se nos mantivermos fiéis à teoria tradicional acerca do conhecimento, no caso da descoberta de Plutão por Tombaugh, não se pode falar de conhecimento antes da descoberta propriamente dita, porque não só os cálculos estavam errados, o que significa que a crença na existência de um corpo de grandes dimensões a seguir a Neptuno não estava bem justificada, como o que havia antes da descoberta era uma suspeita muito vaga.
No caso de Higgs a hipótese sobre a existência do bosão estava bem fundamentada do ponto de vista matemático e revelou-se verdadeira. Nesse caso podemos afirmar que a crença de Higgs na existência do bosão está muito próxima da satisfação das condições previstas pela teoria tradicional, do conhecimento como crença verdadeira justificada. Mesmo que possamos 
pôr em causa o seu estatuto de conhecimento não podemos negar que foi com base nessa crença que o bosão acabou por ser encontrado.
Outro exemplo de antecipação do conhecimento por contacto pelo raciocínio conjectural é a  tabela periódica de Mendeleiev:
"Em 1871Mendeleev previu, a partir de espaços vazios em sua tabela periódica, que devia haver ainda pelo menos 3 elementos não descobertos, aos quais ele nomeou eka-boron, eka-aluminium, e eka-silicon. Com a previsão de Mendeleev da existência desses espaços e suas propriedades químicas aproximadas, os elementos correspondentes foram encontrados por químicos franceses, escandinávios e alemães, e foram nomeados por seus países de descoberta, como Gálio, Escândio e Germânio."(http://pt.wikipedia.org/wiki/Descoberta_dos_elementos_qu%C3%ADmicos)

Quando é que podemos dizer que conhecemos algo?

De acordo com a teoria tradicional (teoria do conhecimento como crença verdadeira justificada), só há conhecimento quando se encontram reunidas as seguintes condições necessárias:

a) Temos uma crença acerca de algo;
b) Essa crença é verdadeira;
c) Temos justificação para a verdade dessa crença.

Embora os contra-exemplos de Gettier tenham posto em causa esta teoria, podemos usá-la para, numa abordagem preliminar, explicarmos as condições mínimas a que obedece o conhecimento. Estas condições podem não ser suficientes para explicar o conhecimento, no entanto não deixam de ser necessárias: todo o conhecimento tem que ser uma crença; todo o conhecimento tem que ser verdadeiro e a verdade do conhecimento tem que ter uma justificação. Se devem existir mais condições para o conhecimento é uma questão que se coloca a uma abordagem epistemológica mais profunda, mas estas três condições podem servir para responder à questão colocada, porque grande parte dos nossos conhecimentos está submetida a elas.
Se uma crença se revelar como não estando adequada à realidade, temos que concluir que não é verdadeira. Se constatamos que a realidade parece comportar-se como é suposto por uma crença nossa, só podemos afirmar que possuímos conhecimento se tivermos uma justificação para a verdade dessa crença - não basta ter a convicção de que é assim, temos que saber porquê.
Mesmo que o nosso conhecimento possa ser provisório, enquanto tivermos uma boa justificação para a verdade de uma crença, temos conhecimento daquilo que é pressuposto por essa crença. 

Conhecimento - Ficha formativa I

Grupo I
1. De acordo com a definição tradicional de conhecimento,

(A) a crença é condição suficiente do conhecimento.
(B) uma crença falsa pode ser conhecimento.
(C) a justificação é condição necessária do conhecimento.
(D) a opinião é condição necessária e suficiente do conhecimento.

2. Considere os seguintes enunciados relativos à definição tradicional de conhecimento:

1. Uma crença verdadeira pode, sob certas condições, constituir conhecimento.
2. O conhecimento é sempre uma crença partilhada, considerando que implica um sujeito e um objeto.
3. Uma crença falsa pode, sob certas condições, justificar um conhecimento.
4. Apenas crenças verdadeiras podem ser justificadas.
______
Deve afirmar-se que:

(A) 1 e 4 são corretos; 2 e 3 são incorretos.
(B) 4 é correto; 1, 2 e 3 são incorretos.
(C) 1 é correto; 2, 3 e 4 são incorretos.
(D) 3 e 4 são corretos; 1 e 2 são incorretos.

3. Segundo a teoria tradicional, o conhecimento obedece às seguintes condições necessárias:
(A) Todo o conhecimento é uma crença verdadeira justificada.
(B) Todo o conhecimento é uma justificação.
(C) Todo o conhecimento se justifica a si mesmo.
(D) Todo o conhecimento é uma crença verdadeira.

4. O João leu um livro sobre o Xadrez escrito por um dos maiores campeões de todos os tempos.
Agora o João considera-se capaz de iniciar-se na prática do Xadrez.
O João adquiriu:

(A) Conhecimento por contacto.
(B) Um saber-fazer.
(C) Conhecimento proposicional.
(D) Conhecimento proposicional e um saber-fazer.

5. Das seguintes alternativas escolha a que melhor se adequa à ideia de que o conhecimento é factivo:

(A) O conhecimento é um facto.
(B) Não há conhecimentos falsos.
(C) Todos os conhecimentos podem ser falsos.
(D) Alguns conhecimentos podem ser falsos.

6. Analise os seguintes enunciados:
1. Sei que está um gato em casa (vi-o passar).
2. Nenhum objecto físico pode ser ao mesmo tempo verde e vermelho em toda a superfície.
3. Todos os almadenses são portugueses. O João é almadense. Logo, o João é português.
4. Todos os números ou são pares ou são ímpares. O número 3 não é par. Logo, é impar.
_________
Tendo em conta a distinção conhecimento a priori/a posteriori conhecimento primitivo/derivado, decida qual das alternativas está correta:

1. primitivo a posteriori; 2. primitivo a priori; 3. derivado a posteriori; 4. derivado a prior
(A) 1. primitivo a priori; 2. primitivo a posteriori; 3. derivado a posteriori; 4. derivado a priori.
(B) 1. primitivo a posteriori; 2. primitivo a priori; 3. derivado a priori; 4. derivado a posteriori.
(C) 1. primitivo a priori; 2. primitivo a posteriori; 3. derivado a priori; 4. derivado a posteriori.
(D) 1. primitivo a posteriori; 2. primitivo a priori; 3. derivado a posteriori; 4. derivado a priori.

7. Uma crença é:

(A) Uma ideia que surge na nossa mente e que não tem uma justificação.
(B) Uma ideia que surge na nossa mente, motivada por uma experiência religiosa.
(C) Uma ideia que surge na nossa mente, por vezes sem motivo.
(D) Uma ideia que se considera verdadeira e à qual se dá todo o crédito.

8. No conhecimento, o objecto:


(A) É a entidade que é conhecida.
(B) É a entidade que conhece.
(C) É a representação mental do que é conhecido.
(D) É uma consciência.

9. Podemos afirmar que todo o saber-fazer pressupõe um conhecimento por contacto?


(A) Não, porque são tipos de conhecimento diferentes.
(B) Sim, porque se trata do mesmo tipo de conhecimento.
(C) Não, porque o saber-fazer nasce de um conhecimento proposicional (tem que se adquirir conhecimentos teóricos para se poder praticar alguma atividade).
(D) Sim, porque o saber-fazer nasce de um conhecimento por contacto (só se pode praticar alguma atividade se se tiver contacto direto com o/s objecto/s com ela relacionado/s).

Falácias - exercícios 12

Considere o seguinte enunciado:

"Só tens uma hipótese. Ou és cristão, ou és ateu."

Nele comete-se a falácia:

(A) da derrapagem.
(B) do boneco de palha.
(C) do falso dilema.
(D) ad hominem.

Exercícios - falácias 11

Considere as seguintes falácias:

1. É impossível falar sem usar palavras, uma vez que as palavras são necessárias para falar.
2. Ninguém conseguiu provar que a reincarnação existe. Portanto, a reincarnação não existe.
3. Quem não aprova todas as nossas decisões é contra nós. Como não aprovas todas as nossas decisões, és contra nós.
4. A filosofia de Sartre é irrelevante porque o autor é ateu.
____________
Deve afirmar-se que:

(A) 1. é petição de princípio; 2. é ad hominem; 3. é falso dilema; 4. é apelo à ignorância.
(B) 1. é petição de princípio; 2. é apelo à ignorância; 3. é falso dilema; 4. é ad hominem.
(C) 1. é falso dilema; 2. é apelo à ignorância; 3. é ad hominem; 4. é petição de princípio.
(D) 1. é petição de princípio; 2. é apelo à ignorância; 3. é ad hominem; 4. é falso dilema.

Falácias - exercícios 13

2. Leia o seguinte exemplo de uma falácia apresentado por Irving M. Copi e Carl Cohen.
Texto A
"Para haver paz, temos de não encorajar o espírito competitivo. Ao passo que, para haver
progresso, temos de encorajar o espírito competitivo. Temos ou de encorajar o espírito competitivo
ou de não encorajar o espírito competitivo. Logo, ou não haverá paz ou não haverá progresso."
Irving M. Copi e Carl Cohen, Introduction to logic, Nova Iorque, Macmillan Publishing Company, 1994 (adaptado)

Identifique a falácia informal em que incorre o argumento transcrito.
Justifique a resposta.

A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados:
– identificação da falácia presente no texto como um caso de falso dilema;
– aplicação da definição da falácia do falso dilema ao exemplo do texto – a alternativa entre a paz (não encorajando o espírito competitivo) e o progresso (encorajando o espírito competitivo) é uma falsa
alternativa. Por exemplo, pode-se admitir a existência de paz e de progresso por meio da cooperação.
Deste modo, a conclusão está assente numa alternativa discutível.

Sunday, February 23, 2014

Falácias - exercícios 10

10. "A Lua é um planeta como a Terra. Ora a Terra é habitada. Portanto, a Lua é habitada."


R: Falsa analogia.

Esta analogia viola ambas as regras dos argumentos por analogia:
1. As semelhanças têm de ser relevantes e numerosas;
2. Não pode haver diferenças relevantes.

A Terra e a Lua têm muito poucas semelhanças e a característica de ser habitada não é comum às duas entidades.


Sobre esta falácia:
http://livrepensamento.com/guia-de-falacias-logicas/falacias-indutivas/falsa-analogia/